sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

NÃO DURMA DE CONCHINHA


Está em cartaz, em Brasília/DF (como se eu fosse lido em outro estado!), amanhã e depois, a peça Não Durma de Conchinha, da companhia de comédia De 4 é Melhor. Vocês conhecem minha preguiça de toda sexta-feira, né? Ainda mais depois de ler e comentar Kafka...Meu cérebro pediu arrego. Não quero pensar, então vou colar aqui o resumo do que a peça trata (o texto copiei do site da própria companhia): "A peça aborda, de forma descontraída, peculiaridades de todas as fases íntimas de um ciclo de relacionamento. A peça retrata desde a solidão e a busca pela alma gêmea, passando pela rotina de um casal, pelos problemas sexuais, pelo ciúme da relação, até a separação e o começo de um novo ciclo."

A minha opinião sobre o espetáculo vai ser breve. É uma boa peça. A De 4 é Melhor não é a melhor companhia de comédia de Brasília, mas é uma boa companhia; nem esse espetáculo o melhor de humor que já vi, mas é um bom espetáculo. E, nesse caso, os dois juntos garantem algumas boas risadas. Algumas esquetes são bem engraçadas, como o cara que tenta descobrir se o amigo é gay. Não gostei do monólogo logo no começo e no fim da peça: o texto e a interpretação poderiam ter sido melhores. No mais, a atuação dos atores estava boa e as situações divertidas. Vale conferir!

Vídeo promocional do espetáculo



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

KAFKA - UM ARTISTA DA FOME


Sombrio, denso, triste, perturbador, enigmático, genial. Todos esses adjetivos e outras mais cabem perfeitamente ao grande escritor tcheco Franz Kafka, que viveu entre 1883 e 1924.  Foi a primeira vez que li contos de Kafka, já tinha lido um romance (O Castelo) e uma novela (A Metamorfose), duas excelentes obras por sinal; agora, contos ainda não. Nesse livro, encontramos os contos: Primeira Dor, Uma Pequena Mulher, Um Artista da Fome, Josefine, a Cantora ou O Povo dos Ratos, Um artista da fome; e também a novela Na Colônia Penal.

Nessas obras, Kafka segue a mesma linha de O Castelo e A Metamorfose: dá mais ênfase às reflexões do que propriamente ao enredo. Não é um autor de grandes surpresas, reviravoltas, enigmas em suas tramas. (Só para esclarecer uma possível contradição: quando, lá em cima, eu disse que ele é enigmático, refiro-me aos seus personagens e mensagens). Em Uma Pequena Mulher e Josefine, a Cantora, por exemplo, quase não há história, mas sobram ricas e profundas reflexões.

Não quero dizer com isso que seus enredos seja ruins, primários, fáceis; de jeito nenhum. Ele é muito criativo ao imaginar personagens e fatos, as histórias são envolventes, mas a trama em si não é o que mais chama atenção em seus livros. A sua maior virtude, o seu diferencial, é a descrição das situações, da realidade de seu tempo, dos conflitos e sentimentos do ser humano; e ele o faz de forma dura, fria, pungente.  Em Um Artista da Fome, de tão bem escrito, praticamente sentimos a angústia do personagem. Para mim, esse é o melhor conto do livro.

Destaco também Primeira Dor e Na Colônia Penal. Essa novela até apresenta um pequena reviravolta na trama, contrariando um pouco o que escrevi antes. Não gostei tanto dos outros dois contos: Uma Pequena Mulher e Josefine, a Cantora. O problema não foi a ausência de enredo dessas duas obras. A dificuldade que vi foi sua leitura confusa e difícil de acompanhar; a narrativa não se desenvolve, pois o autor pisa e repisa, destrincha e estica o tema em discussão; eu tinha que voltar a toda hora para não perder o encadeamento das ideias. De qualquer maneira, vale a pena os ler, pois Kafka, numa abordagem diferente e brilhante, coloca em discussão questões interessantes.

Fica a dica! Até mais!






sexta-feira, 30 de novembro de 2012

MEDIANERAS


Dois jovens solitários, interpretados por Javier Drolas e Pilar López de Ayala, vivem seus dramas,  fobias e traumas amorosos, de forma cada vez mais isolada do mundo, mas ainda guardam o desejo de encontrar alguém interessante com quem possam dividir seu espaço, por quem possam se apaixonar. Mas os hábitos da vida moderna e o ambiente hostil de uma grande cidade parecem dificultar essa busca.  O contato com outras pessoas dá-se principalmente, ou apenas, no ambiente virtual. Esse é o resumo rápido e rasteiro da comédia romântica argentina, Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual, película dirigida por  Gustavo Taretto, com roteiro do próprio diretor.

Não há registro de que o filme tenha sido baseado numa história real; provavelmente sim, pois histórias como essa são tão comuns hoje em dia que uma delas bem que poderia ter servido de material para o filme. Mas...Pensando bem, talvez, exatamente por isso, devemos crer que não foi baseada ou inspirada em um relato específico, mas em vários; uma mistura de muitos. Também pode ser que sim. Por esse motivo, por ser algo do nosso cotidiano, do nosso mundo moderno, de alguma forma, nos identificamos com Medianeras. Se não aconteceu com a gente, aconteceu com um conhecido; ou, então, já lemos em alguma revista ou vimos na TV, histórias semelhantes à que ocorreu com o casal de protagonistas. Passa-se em Buenos Aires, mas poderia se passar em qualquer cidade do mundo atual.

Pela razão exposta, a trama até nos prende. Entretanto, considero o filme apenas mais ou menos. Legalzinho, vai!! Pode servir para uma tarde dessas em que estamos à toa. Há momentos engraçados, divertidos, mas não me convenceu ou conquistou totalmente. Achei que faltou novidade, surpresa. Além disso, na minha opinião, o filme às vezes cai no clichê e usou recursos não muito elaborados para fazer uma brincadeira, um "trocadilho," por assim dizer, que se explica no final do filme. Refiro ao fato de o diretor ter usado o passatempo da protagonista, o joguinho Onde Está o Wally, para fazer ligação com um acontecimento na vida dela. Achei meio óbvio e fácil. Poderia ter sido mais criativo.  E o que se destaca positivamente no filme? Para mim, o texto. Muito bom!

Bem! Medianeras se salva. Não é lá grandes coisas, mas dá para dizer que é um bom filme!

Até logo!


Trailler




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

PAISAGEM NA NEBLINA


Paisagem na neblina é um drama grego que conta a história de dois irmãos, ainda crianças, que partem sozinhos da Grécia em busca do pai desconhecido que, segundo lhes contou a mãe, vive na Alemanha. Para alcançar o objetivo de chegar a esse país, eles tomam clandestinamente um trem. Como se é de imaginar, sozinhos, eles passam por algumas situações difíceis que lhes abrem os olhos para a dura realidade do mundo.

No geral, gostei do filme, apesar de conter alguns elementos que não me agradam, como: uso de símbolos e alegorias para transmitir e explicar ideias e fatos, diálogos aparentemente sem muito sentido, cenas surreais. Como não havia em excesso, esses "probleminhas" não comprometeram. Enfim, o saldo foi bem positivo.

Gostei do tratamento que o diretor deu à trama. De maneira bem realista (como é bem comum em produções europeias), ele mostra as alegrias e, principalmente, as angústias que os dois irmãos viveram durante a sua jornada. E, por falar em angústia, o filme é assim: angustiante. É duro ver o sofrimento de duas crianças, ainda mais quando se é pai. Mas, filme não é só para causar bem-estar; essa arte também está aí para nos fazer refletir sobre o lado cruel da vida.

Outro ponto positivo foi o final. Sutil e delicado. Simples, mas rico em mensagem. Muito bem pensado. Prefiro omitir que tipo de sentimento essa parte do filme despertou em mim para não entregar o que aconteceu.

É um filme muito bonito. Vale a pena conferir.

Até a próxima!

Ficha técnica e trailler

Direção: Theo Angelopoulos
Elenco: Tania Palaiologou, Michalis Zeke, Stratos Giorgigoglou, Eva Kotamanidou, Aliki Georgouli, Kiriakos Katrivanos, Vangelis Kazan, Dimitris Kaberidis, Ilias Logothetis,Gerasimos Skiadaressis  
Ano: 1988
País: Grécia
Gênero: Drama

Trailler (não achei em português)



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

HAYLEY WESTENRA


Navegando pelo Youtube atrás do vídeo da linda música Wuthering Heigths interpretada pela singular e excêntrica Kate Bush, com sua bela e agudíssima voz, eis que vejo ali ao lado o vídeo de uma menina meio loira, meio ruiva, de sobrenome estranho, interpretando a mesma música. Hayley Westenra, o nome dela. Depois de conferir a maluca e espetacular performance de Kate Bush, cliquei no da loira-ruiva de sobrenome estranho por pura curiosidade, só para ver sua ousadia, pois tem que ter muita coragem para cantar essa música. Que grata surpresa! Fiquei encantado e impressionado com sua voz. É doce, suave, reconfortante: belíssima!! Arrisco dizer que a música ficou melhor com ela do que com a Kate Bush. Fui conferir outros vídeos da tal Westenra: Pie Jesu, Ave Maria, I Dreamed a Dream. Todas as músicas divinamente interpretadas. Mesmo nos agudos bem altos, ela mantém a doçura na voz, talvez até a acentue.Tive que comprar o disco da moça.

Comprei o Pure, de 2003, o primeiro internacional da cantora, justamente por trazer a  Wuthering Heigths. O disco é muito bom; todo num tom bem calmo e sereno. Nesse álbum, ela mistura músicas nativas, cantadas em Maori (parece estranho, mas existe um razão para isso;  Westenra é neozelandeza), canções eruditas, religiosas e também populares. Não conhecia a maioria das músicas, na verdade só conhecia duas: a própria Wuthering Heigths e Amazing Grace. Depois de ouvi o disco, gostei de todas, até as em Maori. Achei o repertório muito bem selecionado. Destaco: River of Dreams, Never Say Goodbye, Who Painted the Moon Black. Quero ainda adquirir outros discos dela.

Confiram os vídeos abaixo e vejam se a voz dela não é belíssima. Até a próxima!


Wuthering Heights

Pie Jesu (Preste atenção na suavidade dos agudos; e isso cantando ao vivo! Bonito demais!)

I dreamed a dream

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

THOMAS FERSEN


Para quem curte música francesa, apresento o cantor, músico e compositor francês: Thomas Fersen. Se bem que ele não é do tipo que só faz músicas tipicamente francesas, aquelas baladas com melodias e arranjos bem característicos. Até reconhecemos em seu repertório algumas assim, mas ele vai muito além desse gênero. Devido à sua diversidade,  é até difícil encaixá-lo num único estilo musical. Como bem colocou o texto do Wikipédia, seu estilo pode ser rock, pop rock, folk, jazz e blues. A classificação varia de um álbum para outro ou, até mesmo, de uma música para outra dentro do mesmo álbum.

Percebe-se, então, que Fersen é um artista versátil e criativo. Basta ouvir um disco para notarmos que ele inventa, arrisca e cria bastante. Sua coragem, versatilidade e criatividade se refletem também nos arranjos. O músico combina, com êxito, vários tipos de instrumentos em suas músicas, tais como: banjo, trompete, trombone, harpa, acordeão, contrabaixo, guitarra.

Juntem-se, então, a esses belos arranjos letras irreverentes, bem-humoradas e repletas de trocadilhos e rimas bem empregados. O resultado são canções contagiantes, descontraídas e engraçadas. Não posso me esquecer de juntar aos elementos anteriores a agradável voz grave e ligeiramente rouca de Fersen. Portanto, motivos não faltam para você conferir o trabalho desse artista.

Sugiro ouvir atentamente, pelo menos, os seguintes álbuns (ele produziu onze ao todo, mas só conheço esses três):  Le Bal des Oiseaux, Pièce Montée des Grands Jours, e Trois Petis Tours. Segue uma música de cada um desses discos. Além dessas aí abaixo, ouçam também: Juillet, Libertad, Le Chat Botté, Diane de Poitiers, Deux Pieds, Né Dans une Rose, La Malle, Chocolat.




Le Bal des Oiseaux (Le Bal des Oiseaux)


Croque (Pièce Montée des Grands Jours)



Les Mouches (Trois Petis Tours)



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

HOMENS E DEUSES


Fim de semana chegando, venho, então, sugerir um filme. Mais uma vez a sugestão recai sobre um longa francês, assim como ocorreu na sexta-feira passada. O de hoje é o drama, Homens e Deuses. Em relação à história, vou reproduzir aqui o resumo que retirei do site Cineclick (preguiça de pensar mesmo): "Um grupo de monges franceses convive em perfeita harmonia com a população muçulmana até esta relação sofrer interferência de fundamentalistas, que massacram trabalhadores e espalham o medo." O episódio relatado no filme é real e se passou durante a guerra civil ocorrida em 1996, na Argélia.

Mesmo que você já conheça esse episódio e saiba, inclusive, qual é o seu desfecho, não significa que o filme vá perder força dramática. Um dos fatores que alimenta o drama é o bom trabalho do diretor no sentido de revelar o lado humano dos personagens. Ele mostra, com simplicidade e sobriedade, parte da rotina dos monges, seus conflitos, suas alegrias e suas angústias para decidirem seu destino. A cena mais bonita, forte e tocante é quando, no momento da ceia, logo depois de tomarem a decisão fatal,  cada monge tem suas expressões captadas por uma tomada bem próxima da câmera, o que nos permite ver a emoção mais íntima de cada um deles. 

Devo alertar que o filme anda sem muita pressa; melhor dizendo, anda bem devagar mesmo. E, para piorar, os monges cantam a toda hora, o que pode provocar mais sono. Mas não deixe que esses fatores o desanimem, escolha o melhor momento e acompanhe com atenção a prova de fé e os momentos de fraqueza e força que marcaram a vida desses homens. Vale a pena.


Ficha técnica e trailler

Diretor: Xavier Beauvois
Elenco: Lambert Wilson, Michael Lonsdale, Olivier Rabourdin, Philippe Laudenbach, Jacques Herlin
Roteiro: Etienne Comar
Ano: 2010
País: França
Gênero: Drama