terça-feira, 30 de setembro de 2014

EXPOSIÇÃO GÊNESIS - SEBASTIÃO SALGADO

Mais uma grande atração gratuita no CCBB. Trata-se da exposição fotográfica Gênesis, com imagens feitas por Sebastião Salgado. Até dia 20 de outubro, Brasília tem a oportunidade de conferir de perto a sensibilidade do olhar que esse renomado fotógrafo dirigiu à natureza no seu estado mais puro, bem como do olhar que ele dirigiu à relação do homem com essa mesma natureza.

As fotografias são fantásticas, não só pela beleza da imagem em si, mas também pelo seu poder de provocar reflexão. Tendo isso em conta, não olhe as imagens levianamente. As fotos foram tiradas e expostas com o objetivo principal de nos fazer pensar na nossa relação com a natureza, e dessa forma devem ser vistas e sentidas. Com isso em mente, sua experiência certamente será bem mais rica. 

São mais de 300 fotos em quatro espaços diferentes, portanto é necessário um bom tempo para apreciar a exposição devidamente. Se tiver escolha, não leve crianças muito pequenas; se levar, prepare os braços e a paciência. Meu filho de cinco anos curtiu bastante, não deu trabalho algum; já o de três, mais ou menos na metade da visita, dispersou-se, cansou-se e pediu colo.  

Como se trata de uma exposição fotográfica, nada melhor do que utilizar fotos para contar minha experiência.   



Minhas imagens preferidas



















quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O MENDIGO QUE SABIA DE COR OS ADÁGIOS DE ERASMO DE ROTTERDAM


O título em si do livro já intimida um bocado e, quando não assusta de vez, autoriza no máximo uma aproximação respeitosa. Acreditando que poderá ter vida mais fácil ao vencer a sua capa, o intrépido e desconfiado leitor supera o preconceito inicial e resolve abrir o exemplar (afinal de contas é uma obra agraciada com o prêmio Jabuti). Aí é que vem o engano: o seu conteúdo se revela ainda mais intimidador, de modo que, se o atrevido leitor não for paciente, não permanecerá em sua páginas por muito tempo. É assim mais ou menos a relação com O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Affonso Ferreira. 

Na verdade, nem a sensação de ter entrado de fato no livro eu tive. Parece que acompanhei tudo a distância. É como um sujeito que de papel na mão chega ao endereço de um teatro alternativo indicado por um colega de trabalho. Ele hesita em seguir adiante porque a fachada do edifício não é nada convidativa. Como já tinha chegado até ali, decide se aproximar do local, mas as portas estão trancadas, os vidros das janelas estão embaçados e só lhe resta uma pequena frincha na parede de onde, com um só olho, pode acompanhar o espetáculo que se desenrola lá dentro. A posição é desconfortável, a peça é confusa, o espectador não consegue se envolver emocionalmente, e logo ele se cansa e se distrai. 

Foi assim que me senti ao ler a história de um homem bastante erudito que, perturbado por conta de uma desilusão amorosa, decide morar nas ruas de uma grande cidade. No seu monólogo, esse erudito solitário, já perto da loucura, relata a sua relação com a mulher amada, o fora que levou dela, sua esperança de rever esse grande amor, bem como faz reflexões sobre sua vida, sobre a vida de outros mendigos, sobre a sociedade em geral. E toma-lhe uma enxurrada de palavras difíceis, construções sintáticas inusitadas, neologismos, citações filosóficas, nomes de figuras mitológicas pouco conhecidas e, claro, reprodução de vários adágios de Erasmo de Rotterdam; sem falar na repetição frequente, no relato do protagonista, de várias expressões e desejos seus, como se fossem bordões que adquiriu na sua luta diária para não deixar as lembranças escaparem.

Como se pode perceber é uma leitura difícil e arrastada, que exige atenção, paciência e consultas constantes a dicionários e ao Google. Não vou dizer que é um livro ruim, nem tampouco pretensioso, enganador ou afetado; não é por aí. É um livro pouco amistoso, vamos dizer. Essa antipatia se deve à escolha radical de Evandro Affonso Ferreira de privilegiar a forma em detrimento de um comunicação mais aberta com o leitor comum, o que parece ser uma característica do autor. O resultado é um livro culto, com boas percepções sobre a vida e sobre a sociedade, mas praticamente sem emoção. 

É como se fosse um convite para um encontro, num começo de noite de uma quinta-feira qualquer, reservado a um grupo seletíssimo de pessoas. Nesse evento, os poucos convidados, de pernas cruzadas e óculos na ponta do nariz, exaltam, em tom comedido e excessivamente formal, as virtudes estilísticas da obra em discussão. Hummm...! Não sei... pode até ser legal, mas eu prefiro uma festinha mais animada. 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A GAIOLA DOURADA


Nem só de filme "cabeça" vive o cinema europeu, aí incluído o francês, que tem lançado nos últimos anos, sem qualquer constrangimento, filmes com apelo mais comercial, principalmente no gênero comédia. Três exemplos de produções recentes dessa categoria, e que já foram resenhadas aqui no blog, são: Os IntocáveisQual é o Nome do Bebê e Minhas Tardes com Margueritte. Convenhamos: não dá para ficar só em filme "cabeça" o tempo todo! Obras que se preocupam mais com a diversão do que com a densidade também têm o seu lugar, ainda mais quando seu propósito é nos fazer rir. 

Ainda que fazer pensar profundamente sobre algum tema não seja o seu principal objetivo, não se pode afirmar que esses filmes sejam totalmente vazios, sem qualquer conteúdo. Mesmo essas comédias francesas mais comerciais costumam oferecer algum questionamento um pouco mais elaborado. A diferença é que o tratamento dessa reflexão é bem ameno, de maneira a não prejudicar a natureza principal do filme que é proporcionar diversão despreocupada ao telespectador. 

Esse é o caso de A Gaiola Dourada, película produzida numa parceria firmada entre França e Portugal. O enredo apresenta um casal de imigrantes portugueses (ele é pedreiro; ela, zeladora de um prédio), que vive em Paris há vários anos. Um dia os dois recebem uma herança milionária da qual só poderão usufruir se deixarem suas vidas na França e se transferirem ao seu país de origem para assumirem a administração do negócio. O problema é que esse casal já tem uma vida estabelecida na França, tem filhos franceses e se tornou muito importantes na vida das pessoas que o cercam, como os patrões, os moradores do prédio e os parentes que também moram nesse país. Essas pessoas todas, ao descobrirem que podem ser "abandonados," começam a armar situações para que o casal fique. 

O filme diverte, apresentando situações bem engraçadas; e suavemente nos faz refletir; o seu tal questionamento um pouco mais elaborado consiste no dilema entre ficar num país estrangeiro ao lado da família e amigos, mas levando uma vida simples, ou realizar o sonho de voltar para a terra natal, podendo desfrutar de uma vida de luxo, mas sem a família e os amigos. 

Tudo bem... A Gaiola Dourada é divertido, engraçado, serve para matar o tempo, mas não dá para dizer que é um grande filme. A título de comparação, achei-o inferior aos outros três acima citados. Se, dentro desse segmento de comédias mais descompromissadas, Os Intocáveis e Qual é o Nome do Bebê eu classificaria como muito bons; Minhas Tardes com Margueritte, como bom; eu diria que A Gaiola Dourada é apenas mediano. Isso porque algumas passagens foram previsíveis, algumas soluções foram fáceis (sobretudo o final), uma ou outra piadinha era exageradamente feita para agradar e o dilema do casal foi mal explorado no seu aspecto emocional. De qualquer maneira, é um filme que cabe bem num momento mais preguiçoso.

Trailer


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O CAÇADOR DE PIPAS - LIVRO



Sucesso mundial de vendas no começo da primeira década do atual milênio, esse livro só chegou às minhas mãos recentemente. Logo vi que essa obra deveria ser encarada como o que ela realmente é: uma forma simples de retratar uma história, sem recorrer a grandes reflexões filosóficas, nem a refinadas críticas políticas ou sociais, muito menos a grandes manobras linguísticas ou inovação na forma. Não espere nada denso ou profundo como, só para ficar em dois exemplos,  Crime e Castigo (Dostoiévski) ou Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago). Não é livro para discussões acadêmicas. Poderíamos dizer que é um livro do tipo mais popular, para matar o tempo.  Percebe-se isso logo nas primeiras linhas por conta da linguagem simples adotada pelo autor. Enfim, O Caçador de Pipas não tem estofo para para se tornar um grande clássico da literatura, como Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez), para citar outro exemplo. Todavia, enxergando-o como de fato ele é, O Caçador de Pipas pode ser uma boa experiência de leitura. 

Eis um pequeno resumo: Amir e Hassan têm, ao mesmo tempo, uma relação de amizade e de patrão/empregado. O primeiro é filho de um homem rico e importante na cidade de Cabul, Afeganistão. O segundo é filho do empregado da família do primeiro. Como moram no mesmo lote, eles crescem e brincam juntos e se tornam muito próximos. Contudo, algo abala esse equilíbrio: no começo da adolescência, Amir falha com seu amigo, que passa por um terrível infortúnio. A partir desse dia, o fantasma da culpa passa a perseguir Amir. O título do livro deve-se à habilidade de Hassan em apanhar as pipas que eram cortadas nos campeonatos desse tipo de brinquedo que ocorriam anualmente em Cabul. É correndo atrás de uma pipa, num desses campeonatos, que Hassan vive sua desventura. 

Como todo livro mais popular, O Caçador de Pipas apresenta na sua fórmula: personagens um tanto simples, frases de efeito, tom mais emotivo e drama mais carregado. O problema é que muitas vezes esse forte apelo emocional esbarrou no sentimentalismo barato e ficou piegas; e isso me incomodou. Frases de efeito de cunho sentimental contribuíram para esse toque mais piegas, como essa frase aqui: "Por você eu faria isso mil vezes." Por vezes, o autor também errou a mão no drama; e, em muitos momentos, a história ganhou ares de dramalhão hollywoodiano com pitadas de novela mexicana; tudo por conta de coincidências inacreditáveis e artificiais, que deixaram algumas situações um tanto inverossímeis. 

Achei ainda que essa grande culpa que Amir carrega por todo o livro foi supervalorizada. Tenho para mim que ninguém ficaria tão perturbado, por tanto anos, por algo que fez no começo da adolescência, período em que invariavelmente fazemos alguma bobagem. De fato, o erro de Amir foi bem grave, mas para mim não o suficiente para justificar o pesar tão grande que o personagem sente por boa parte de sua vida.

A grande virtude do livro é sua honestidade. Ele não quer ser o que não é; não quer nos enganar. Me irritam livros que tentam vender uma profundidade que não têm. Já que dei exemplos antes, aqui vai um de um livro enganador: Fim, escrito por Fernanda Torres (já resenhado nesse blog. Link aqui). O Caçador de Pipas não apela para esse recurso, e isso é bom porque nos desarma, e nos abrimos para acompanhar, sem grandes preocupações intelectuais, uma trama muito triste, cheia de dramas e reviravoltas, que tem como pano de fundo as guerras pelas quais passa o Afeganistão bem como as transformações políticas e sociais decorrentes das crises vividas por esse país. Foi interessante conhecer um pouco mais da cultura do Afeganistão e os problemas que ele enfrentou.

Descontando o excesso de drama e coincidências difíceis de engolir, é um bom livro para quem deseja se distrair e se emocionar. Khaled Hosseini consegue contar um boa história: forte e triste; surpreendente em alguns momentos, previsível em outros; trágica em muitas passagens, bonita em outras poucas. O final foi bem tocante e me surpreendeu. Eu esperava algo bem sentimental como foi na maior parte do romance, mas fui surpreendido e tocado por um arremate bem sereno e bonito.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

GRAVIDADE


Eis um filme que oferece bons momentos de distração. Essas histórias de pessoas submetidas a situações extremas de solidão, perigo, tensão, fragilidade, em que sua sobrevivência está em jogo, nunca deixam de nos impressionar. Naufrágios, desastres aéreos, soterramentos; desaparecimento em selvas, montanhas cobertas de neve ou deserto; todas essas experiências nos envolvem especialmente porque apresentam seres humanos sem poderes especiais, de quem são exigidos atos heroicos para superar o terrível infortúnio. Facilmente nos identificamos com esse herói ou heroína, porque, de alguma maneira, poderíamos estar ali, passando por algo semelhante.

Gravidade não se encaixa totalmente nesse quadro porque o acontecimento é inusitado demais para uma pessoa comum. Trata-se de um acidente ocorrido na órbita terrestre, provocado por uma nuvem de detritos resultantes da destruição de satélites; acidente esse que envolve uma equipe de astronautas, entre os quais se encontra a especialista Ryan Stone (Sandra Bullock). É o seu sofrimento que vamos acompanhar com mais proximidade.

Embora a possibilidade de se ver perdido no espaço esteja meio distante da grande maioria das pessoas - quase a totalidade dos habitantes do globo -, o fenômeno da empatia não deixa de estar presente no filme. Talvez pensando exatamente em aproximar o máximo possível do ser humano comum o drama vivido pela protagonista, a solução tenha sido eleger como heroína uma astronauta de primeira viagem, que possuía somente conhecimentos teóricos necessários para enfrentar os momentos de crise. Devido à sua insegurança e fragilidade, instantaneamente nos ligamos à personagem e sentimos a forte tensão a que ela é submetida. 

As palavras que escolho para definir Gravidade são competência, criatividade e sensatez. Competência e criatividade no roteiro (Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, Rodrigo García), na direção (Alfonso Cuarón) e na edição (Alfonso Cuarón e Mark Sanger), porque criar situações tensas no espaço não parece ser tarefa das mais fáceis se compararmos a um naufrágio, por exemplo. Nesse último, o cardápio de elementos que podem causar desequilíbrio na situação dos envolvidos se mostra bem mais óbvio e bem vasto: tempestade, animais, sol inclemente, problemas na embarcação e por aí. Agora, na órbita terrestre, partindo de uma perspectiva realista, não me parece haver tantas variáveis que possam criar momentos de desequilíbrio. Pois, em Gravidade, a despeito dessa limitação, a quebra do equilíbrio é constate e a tensão está bem presente.

Sensatez também porque souberam dosar a intensidade e a quantidade dos ingredientes de modo a não tornar o filme entediante. As doses de humor (não achei graça na maioria das piadas, mas... tudo bem...passa) aparecem na figura do experiente astronauta Matt Kowalski (George Clooney); já o trauma pessoal, tratado sem pieguismo, fica na conta da especialista Ryan; as cenas de ação aparecem em diversas momentos; uma passagem dedicada à reflexão sobre a vida também está lá; e, por fim, a própria duração do filme (cerca de uma hora e meia) foi de bom tom; mais do que isso seria encher linguiça. Podemos dizer que é um filme bem ajustado.

Apesar de todos esses aspectos positivos, Gravidade não poderia mesmo ter sido ganhador do Oscar de melhor filme (nas outras áreas, sua vitória me parece merecida); questiono até mesmo a sua indicação nesse segmento. De fato, é bem produzido, bem dirigido, belíssimas imagens, ótimos efeitos especiais e conta com uma boa atuação de Sandra Bullock (indicada a melhor atriz, sem contudo sem sair vencedora), mas daí a uma indicação ao Oscar de melhor filme... não sei... me parece um pouco demais. Acho que falta conteúdo ao filme; falta-lhe substância. É uma boa diversão. Entendo que ele deva ser encarado assim.


Trailler



quarta-feira, 23 de julho de 2014

A EXPERIÊNCIA DA ARTE - ARTE PARA CRIANÇAS



Até o dia 11 de agosto, terá lugar no CCBB a exposição A Experiência da Arte - Arte para Crianças. O diferencial desse evento é a oportunidade oferecida aos visitantes de conhecer e participar do método de elaboração da obra do artista e até mesmo interagir com ela. 

Outro aspecto interessante e positivo, a meu ver, é o fato de que, na maioria dos casos, não há regras ou orientações aos participantes quando eles vão confeccionar a própria arte; e, quando há, é só o mínimo necessário para que a arte funcione devidamente, como no caso da construção da fotografia com a técnica utilizada por Vick Muniz. Portanto, via de regra, há liberdade para se fazer o que quiser com os objetos disponíveis. Convém salientar que, apesar do título da mostra destacar como público-alvo as crianças, os adultos não são proibidos de colocar a mão na massa.

São vários e diferentes trabalhos: fotografias, esculturas, poemas visuais, obras sonoras, esculturas; tudo num espaço bem amplo e confortável. Propositalmente, há poucas informações sobre as obras, objetivando dar liberdade de interpretação e apreciação ao visitante. E a cereja do bolo...? a entrada é franca! Vou destacar as que achei mais interessantes em termos de possibilidade de participação e interação com elas.


1 - O artista Eduardo Coimbra usou esses grandes cubos para apresentar uma concepção diferente de uma casa. A criança pode entrar e subir nos cubos à vontade.




2 - Com essas pequenas peças, o participante fica livre para montar a escultura que desejar. Com a experiência, crianças e adultos entendem como foi elaborada a obra "Malhas da Liberdade" de Cildo Meireles.




3 - Numa parede magnetizada, o visitante tem a liberdade de grudar as palavras do jeito que desejar, formando seus próprios poemas.



4 - E, para mim, a mais interessante de todas: o ateliê-estúdio fotográfico que revela elementos da técnica utilizada por Vick Muniz para fazer alguns de seus trabalhos. Após fazer o esboço em um desenho, a imagem desse desenho é projetada numa tela no chão, e os participantes podem cobri-lo com o material colocado à disposição no espaço: cordas, fitas, panos, formas geométricas. Em seguida, é tirada uma foto do desenho com os acréscimos físicos, e o resultado é exposto. (Como não é permitido tirar fotos do ateliê-estúdio fotográfico, seguem exemplos do antes e depois dos desenhos que foram feitos no local. O depois está à esquerda).




Instrutiva, divertida e interativa. É um ótimo programa com as crianças.

Para saber mais, acesse o link a seguir: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/experiencia-da-arte-serie-arte-para-criancas/#local


quinta-feira, 17 de julho de 2014

O HOMEM DUPLICADO



Sou amante do futebol, por isso, durante a copa, me afastei um pouco do blog (só tinha cabeça para o evento. rsrs). Agora, que a copa acabou e consigo pensar em outra coisa, volto minha atenção a este espaço. Volto comentando um filme: O Homem Duplicado, que foi baseado na obra homônima de José Saramago. Como ainda estou pegando o ritmo, não vou quebrar a cabeça fazendo a sinopse; segue a que retirei do site Adoro Cinema: Um pacato professor de história descobre acidentalmente a existência de um sósia seu, um ator, quando assiste a um filme banal. Ele, então, resolve ir atrás de seu duplo, envolvendo sua namorada e a esposa dele, em uma trama de suspense que muda a vida a vida de todos os personagens.

Hoje vou me valer de um esquema bem prático e simples, que é dividir minha análise em dois tópicos: gostei e não gostei. 

  • Gostei: 
  1. Da forma como o diretor conduziu o filme, principalmente nas relações entre o homem, o seu duplo e as mulheres envolvidas. Foi um jogo de esconde e revela bem interessante, o que segura a nossa atenção. E as verdades foram reveladas bem sutilmente, o que foi um respeito à inteligência de quem está assistindo. Apesar de bem cadenciado e até meio confuso em alguns momentos, dado o seu jogo de cenas, não foi difícil acompanhar o filme.
  2. Da atuação do  Jake Gyllenhaal. Não foi extraordinário, mas ele cumpriu seu papel direitinho.
  3. Da fotografia e dos cenários, que ajudaram a construir a atmosfera meio inquietante da história. 

  • Não gostei:
  1. Do estilo e da linguagem adotados na produção, que soaram meio pedantes. Em alguns momentos, o texto, os diálogos e os jogos de imagens e sons me pareceram uma tentativa forçada de dar mais profundidade e inteligência à obra.
  2. Do caráter enigmático da película. Até hoje tenho a sensação de não ter entendido o significado de alguns elementos do filme, por exemplo: a aranha, que vira e mexe aparece em cena. Sei que aranha, muitas vezes, representa a mulher, e parece ser isso nesse caso, mas... e aí? O que o diretor quis passar com essa representação? E será que é esse o significado mesmo? O final me pareceu bem críptico também. Quando acabou, tive vontade de fazer como um amigo meu ao ouvir o discurso maluco do Lulu Santos em seu show e gritar: Ô, viagem!! Gosto de pensar e refletir sobre a obra, sobre a mensagem que ela deseja passar, mas ficar investigando detalhes bem escondidos, ficar juntando pequenas peças, para tentar desvendar o significado de símbolos misteriosos, isso não me atrai. Acho esse recurso desnecessário e pretensioso. Claro que o fato de ter visto o filme apenas uma vez dificultou a minha tarefa de interpretação, de modo que vou vê-lo novamente, para buscar esse entendimento, mas ainda que consiga interpretá-lo, não vou mudar minha avaliação nesse item. Não foi o fato de não ter decifrado a mensagem que me fez gostar menos do filme; foi o modo de apresentá-la mesmo.

É um filme que divide opiniões. Afora algumas "viagens," eu gostei; não foi nada marcante ou impressionante, mas gostei. Assista e compartilhe sua opinião conosco. Até mais!

Ficha técnica

Gênero: Suspense/Drama

Direção: Denis Villeneuve

Roteiro: Javier Gullón

Elenco: Alexis Uiga, Darryl Dinn, Isabella Rossellini, Jake Gyllenhaal, Joshua Peace, Kedar Brown, Megan Mann, Mélanie Laurent, Misha Highstead, Sarah Gadon, Tim Post

Produção: M.A. Faura, Niv Fichman

Fotografia: Nicolas Bolduc

Montador: Matthew Hannam



Trailler