sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

MY FRENCH FILM FESTIVAL

Queria ter passado essa dica com mais tempo, afinal o evento já acaba na segunda-feira, mas não foi possível. Então, me apoio no ditado "antes tarde do que nunca", para compartilhar essa informação hoje. Ainda dá tempo de aproveitar o My French Film Festival, que oferece gratuitamente, via internet, uma série de curtas e longas franceses, com legendas em português, produzidos recentemente.  Aproveite o fim de semana para conferir alguns títulos. Ao final, você pode avaliar o filme com uma nota.

Segue o link: http://www.myfrenchfilmfestival.com/pt/

Assisti a dois dos disponíveis: Como um Leão e Sua Ausência Que Me Consome.

Como um Leão – O filme conta a história de um menino que, após ser visto por um olheiro, sai do Senegal e vai tentar a chance de se tornar jogador de futebol na França, mas ao chegar lá não encontra o que lhe foi prometido. Achei o filme mais ou menos. Esperava algo mais robusto e substancial. O tema daria uma boa história, mas foi mal explorado. Ficou só na superfície do problema. Além disso, as soluções de cada um dos dramas pelo qual o garoto passa ao longo de sua experiência foram pouco criativas e bem previsíveis. No site, de cinco possíveis, dei só duas estrelas e meia para o filme.

Sua Ausência Que Me Consome – Após vários anos de divórcio, precipitado pela morte do filho do casal, um homem volta a procurar a ex-mulher, que a essa altura já está casada e tem um filho de seis anos. O homem se aproxima bastante do garoto, o que não agrada à mãe.  Gostei mais desse. Nota-se que o filme é mais maduro. As atuações dos atores foram muito boas.  A trama é bem interessante. Ficamos intrigados e angustiados do começo ao fim do filme, sempre com a pulga atrás da orelha em relação às atitudes do homem, e,  por isso mesmo, o que sentimos em relação a ele sofre variações ao longo da história. Essas variações e a curiosidade para conhecer as intenções do protagonista são os elementos que nos mantém preso ao filme.  Esse levou quatro.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

LISTA PARA 2014

A pedidos, voltei hoje rapidinho só para compartilhar aqui a postagem que coloquei no Facebook ontem. Segue:

Já fiz uma lista de livros e filmes para comentar no blog ano que vem. Quanto aos livros, quero reler alguns clássicos da literatura, ler outros clássicos pela primeira vez e prestigiar ainda algumas obras nacionais contemporâneas que ganharam prêmios em 2013. Quanto aos filmes, quero rever alguns clássicos e ver os que ganharem prêmios em 2014 (Globo de Ouro, Oscar, Gramado, Cannes, Berlim e outros). São doze de cada tipo de arte, o que dá a média de um filme e um livro por mês. Esse é o mínimo. Vamos ver se consigo cumprir a meta. rsrsrs.

Livros:
*Clássicos
- Crime e Castigo (Dostoiésvki) (reler)
- Dom Quixote (Cervantes) (reler)
- Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado) (reler)
- O Castelo (Kafka) (reler)
- Madame Bovary (Flaubert)
- Anna Karenina (Tolstói)
- Ulisses (Joyce)
- Mulheres Apaixonadas (Lawrence)
*Nacionais premiados
- Barba Ensopada de Sangue (Daniel Galera) - Prêmio São Paulo
- O Sonâmbulo Amador (José Luiz Passos) - Prêmio Portugal Telecom
- O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam (Evandro Affonso Ferreira) - Prêmio Jabuti
- Diário da Queda (Michel Laub) - Copa de Literatura

Filmes
- Nós Que Nos Amávamos Tanto (rever)
- Dançando no Escuro (rever)
- A Comilança (rever)
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (rever)
- Cidadão Kane (rever)
- Abril Despedaçado (rever)
- E mais seis ganhadores de prêmios importantes em 2014.

E "vamu que vamu!"

Bom início de ano a todos e todas!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MESTRES DO RENASCIMENTO





Na postagem de hoje, vou apenas deixar uma dica sobre uma atividade cultural; não vou dar a minha impressão sobre ela, simplesmente porque não a prestigiei e não sei se terei tempo de fazê-lo, pois o evento se encerra daqui a alguns dias, mais precisamente no dia 5 de janeiro. Trata-se da exposição Mestres do Renascimento - Obras-Primas Italianas, que tem lugar no CCBB. Lá podemos ver obras de Michelangelo, Rafael, Leonardo da Vinci, Boticelli, entre outros. E gratuitamente! Estive no local na sexta-feira passada, mas a fila estava bem grande, e, com duas crianças pequenas, ficou inviável esperar. Vamos ver se conseguimos outra data para prestigiar a mostra. Se eu conseguir ver os quadros, volto ao blog para comentar. Pelo que li sobre a exposição, vale muito a pena visitá-la. Então, programa-se. 

Segue o link do site para quem quiser saber mais informações.

http://www.renascimentonoccbb.com.br/

Bem, essa é a última postagem do ano e, caso não veja mostra acima, só voltarei em fevereiro. Desejo a todos e todas um bom início de ano.

Até logo!




sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

INTOCÁVEIS



É sempre bom ter uma boa opção de filme para um fim de semana, ainda mais em época de chuva. Vou indicar um de que gostei bastante: Intocáveis. Essa produção foi um grande sucesso de público no seu país de orgiem, França, e aqui no Brasil também não fez feio, considerando o fato de que não é um filme propriamente comercial, de apelo ao grande público, apesar de não ser uma obra do tipo "cabeça."

Intocáveis é uma comédia que conta a história da relação de amizade improvável entre um senhor tetraplégico milionário, requintado, educado e fino, e um jovem pobre, agressivo, inculto, folgado. Mesmo havendo tantas diferenças entre eles, os dois acabam se dando bem. E como eles se conheceram? Driss, o sujeito pobre e inculto, sem nenhuma aptidão para o cargo de cuidador, responde a uma oportunidade de emprego para cuidar de Phillipe, o tetraplégico milionário. Driss se candidata à vaga só para cumprir formalidade legal e continuar recebendo o auxílio desemprego do governo. O que Driss não imaginava é que justamente sua falta de qualificação seria o fator preponderante para que Phillipe o escolhesse para o cargo.

Então, vocês já podem imaginar de onde vem a maior parte do humor do filme. Sim, justamente das situações cômicas protagonizadas por Driss ao tentar, sem qualquer experiência ou conhecimento técnico, cuidar de um tetraplégico, condição que exige muita atenção e muita perícia da parte de quem cuida. Mas, apesar do humor fácil, direto e escrachado, as situações são inusitadas e muito engraçadas. O humor se aproxima, às vezes, do pastelão, mas é tratado com muito mais classe e naturalidade do que nas produções hollywoodianas do gênero.

Há também muitas situações politicamente incorretas, como a forma com que Driss brinca com a condição física de Phillipe, mas o perdão vem da própria vítima e do tom dado pelo diretor do filme a essas cenas. Desde o começo, vemos dois personagens humanizados, expondo suas virtudes e defeitos, o que nos leva a encarar a tais cenas politicamente incorretas com naturalidade, sem fazer qualquer tipo de julgamento. Entendemos que a relação dos dois se dá nessas bases, e assim os dois se entendem.

Um dos grandes pontos positivos do filme é seu ritmo, que sabe dosar as situações cômicas com algumas mais dramáticas, bem como cenas de ação com os momentos de diálogos, o que segura nossa atenção do começo ao fim da trama. Ponto também para as atuações dos dois protagonistas, que, se não foram brilhantes, cumpriram o seu papel a contento. Driss é um personagem que nos conquista logo nas primeiras cenas, muito por obra da atuação de Omar Sy.

Intocáveis é um filme engraçado, divertido, que nos faz rir, que não quer polemizar, nem discutir problemas, nem passar lição de moral. Somos convidados a acompanhar essa história de amizade e não a refletir sobre ela. E é assim que a obra deve ser encarada.


Ficha Técnica.
Título orginal: Intouchables
França , 2011 - 112 min.
Comédia / Drama
Direção: Olivier Nakache, Eric Toledano
Roteiro: Olivier Nakache, Eric Toledano
Elenco: François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleurot

Trailler


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

DEBAIXO DE ALGUM CÉU



Livro bom, para mim, tem que cumprir alguns requisitos. Eis os principais:

a) Boa história: criativa, empolgante, surpreendente, interessante, coerente e verossímil;
b) Personagens inusitadas, complexas e bens construídas;
c) Narrativa fluida, envolvente e bem articulada;
d) Vocabulário rico;
e) Reflexões interessantes, daquelas que te fazem interromper a leitura e levantar a cabeça para pensar no que o autor escreveu;
f) Boas sacadas.

50 Tons de Cinza e O Alquimista (já resenhados aqui no blog), por exemplo, não cumprem nenhum desses requisitos; considero-os, portanto, livros ruins. Por outro lado, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Crime e Castigo (ainda não resenhados aqui) atendem a todos esses itens com louvor, o que os torna, na minha opinião, excelentes livros. Para descrever minha impressão sobre Debaixo de Algum Céu, resolvi submetê-lo a esse check list. Essa obra foi aprovada em alguns pontos e reprovada em outros.

Antes de detalhar a avaliação, vou falar um pouco mais sobre o livro em questão. Debaixo de Algum Céu, obra do escritor português Nuno Camarneiro, foi o vencedor do Prêmio Leya de 2012, concurso realizado em Portugal pela editora de mesmo nome, que abre oportunidades para romances escritos em língua portuguesa.  A título de curiosidade, um brasileiro foi o vencedor da primeira edição desse prêmio (2008), trata-se de Murilo Carvalho, com o livro O Rastro do Jaguar.

Debaixo de Algum Céu conta a história dos moradores de um edifício localizado em algum ponto do litoral português. Entre os moradores, temos: um jovem solteiro, especialista em informática, em crise moral por conta do trabalho que está realizando; um padre em conflito espiritual; uma viúva, que perdeu o marido recentemente e conta somente com a companhia de um gato; um casal em crise, com uma filha recém-nascida; uma família comum (pai, mãe, uma adolescente e um menino), com problemas comuns; uma mulher sozinha e angustiada por conta de alguns erros que cometeu; um zelador excêntrico.  Esses são os seus principais personagens. O romance relata o que se passa na vida dessas pessoas do dia de Natal até o primeiro dia de um novo ano.

Apresentado o livro e seu conteúdo, vamos ao resultado da minha avaliação, segundo os critérios elencados acima:

a) Reprovado. A história, ou melhor, as várias histórias do livro são coerentes e verossímeis, mas faltam criatividade e surpresa;  e as tais histórias tampouco nos empolgam. Um padre confrontado com desejos carnais é um tema mais do que batido nas artes. A viúva que ainda cultiva adoração pelo marido morto, uma mulher solitária e problemática, um casal em crise e a família padrão desgastada são histórias mais do que comuns. Nenhuma novidade.

b) Reprovado. Como se pode perceber pelo item anterior, as personagens são bem manjadas; algumas são até bem construídas, mas nenhuma é realmente complexa, nem inusitada. A única diferente é David, que tem a tarefa de criar pessoas virtuais para o mundo virtual gerido pela empresa que o contratou. Ele foge do comum, mas também não se destaca. Todas as personagens desse livro me pareceram bem distantes; não consegui me identificar com nenhuma delas; nenhuma delas me emocionou. Talvez pelo fato de contar várias histórias de várias pessoas distintas, o autor não tenha mergulhado profundamente em nenhuma, o que deixou fria a relação leitor/personagem. Ao final, fica a impressão de que não conhecemos ninguém direito.

c) Passa raspando. A narrativa é bem articulada, mas não é fluida e envolvente. Em vários pontos, achei-a meio amarrada.

d) Aprovado. Vocabulário muito bom.

e) Também foi aprovado. O autor nos oferece boas reflexões. Exemplo: "Oito dias são pouco tempo na vida de uma pessoa, mas nascer é só um dia e morrer também. Há alguns maiores e outros que nada importam, há semanas grandes como anos e horas infinitas, o tempo de uma vida é descontínuo e assimétrico." Outro trecho que nos faz para a leitura, levantar a cabeça e pensar: "Nesta história o tempo é medido em medos, um a cada dia, o tempo certo para que homens tremam e mudem." Há pensamentos muito interessantes, só os achei em número excessivo. Em alguns momentos, eles se preocupa mais em filosofar do que contar a história. Parece que ele tem filosofia para tudo, até para um farol na praia. Poderia ter maneirado a mão nesse sentido.

f) Reprovado. Não vi nada diferente, não vi nenhuma lance genial, inusitado ou marcante. 

Enfim, por tudo o que foi dito, não dá para considerar Debaixo de Algum Céu um excelente livro. Diria que é apenas bom. Não chega a ser perda de tempo lê-lo, mas está longe de ser uma obra marcante; não é daquelas que vai ficar na nossa cabeça por algum tempo. 





terça-feira, 19 de novembro de 2013

CONCERTO COM A ORQUESTRA SINFÔNICA DO TEATRO NACIONAL CLAUDIO SANTORO


Na terça-feira passada, dia 19/11/2013, estive no Teatro Nacional para apreciar o Concerto para Piano e Orquestra em Si bemol Maior, Nº 27 W.A. Mozart, tendo como solista a pianista Lígia Moreno. Fui acompanhado da minha mulher e dos nossos dois filhos pequenos. Sim, levamos os nossos meninos. Confesso que fiquei apreensivo no começo, mas deu tudo certo; eles se comportaram bem. E não poderia ser diferente, pois a apresentação foi fantástica e também os conquistou.

Música clássica não é exclusividade para os músicos, para especialistas ou para eruditos. Música clássica é para qualquer um que tenha sensibilidade. Claro que cada um vai apreciar a música à sua maneira e vai extrair dela elementos diferentes. Os que entendem vão enxergá-la de uma forma, já os leigos, de outra. Porém algo é livre para todos: a emoção. É impossível não se emocionar com a beleza de uma música como a composta por esse grande gênio. 

Eu faço parte das categorias dos leigos. Entendo muito pouco de música, e, se for clássica, então... meu conhecimento é praticamente nulo, mas isso não me impediu de me sentir tocado com a música do Mozart e a performance dos músicos. A Lígia ao piano, então, foi espetacular. Não tenho condições nem me atrevo a fazer qualquer avaliação técnica da performance dela, mas, ao meus olhos de leigo, o que ela fez no instrumento foi espantoso. A velocidade, a precisão, a segurança, na execução de uma obra que me parece bem difícil, e tudo isso sem consultar a partitura, foi de encher os olhos. Impressionante!

Nós reclamamos muito da falta de programas culturais em Brasília; por outro lado, muitas vezes, não os prestigiamos quando eles ocorrem. Eu mesmo tenho prestigiado pouco. No teatro, na última terça, havia ainda muitos lugares vazios. Para uma cidade do tamanho de Brasília, era para estar lotado, com gente sentada nos degraus das escada, ainda mais porque a entrada para o espetáculo era franca. Se você resiste de alguma maneira à música clássica por achá-la que é destinada aos eruditos, supere esse preconceito e compareça a um concerto. É quase certo que você vai se emocionar. A emoção é para todo mundo, até mesmo para crianças bem pequenas.  

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

GRANTA - OS MELHORES JOVENS ESCRITORES BRASILEIROS - 2ª PARTE


Sem mais delongas, vamos para as outras dez obras e seus respectivos autores.

11 - Temporada (Emilio Fraia) - Esse conto foi uma das piores partes do livro. Quando eu terminei foi inevitável perguntar: Hã?! Por que e para que ele escreveu isso?! Texto confuso: muito quebrado, elipses mal feitas; às vezes eu não sabia de que personagem o autor estava falando. A história é mais confusa ainda, não conta nada, não tem nenhum sentido (eu, ao menos, não captei nada, e, como o texto é ruim, não quis ler mais de duas vezes para tentar captar algo). Começa num hotel desativado, em que o dono recebe um desembargador e sua mulher. Daí, vai parar em Londres, no passado, onde o dono do hotel, na juventude, foi passar um tempo para treinar e jogar tênis. O desembargador, o personagem mais interessante e que parecia prometer algo,  simplesmente some da história e não aparece mais. Quanto ao dono do hotel, é um personagem fraco e inexpressivo, com o qual não consegui me identificar. Sem falar do monte de informações que em nada contribuíam para o entendimento da trama. Muito ruim! Não leria um livro dele de jeito nenhum.

12 - F para Welles (Antonio Xerxenesky) - É o trecho de seu próximo romance. Bem interessante. Texto fácil e agradável de ler. A premissa é interessante: uma matadora de aluguel é contratada para dar fim ao famoso cineasta Orson Welles. Resta saber se a proposta tem fôlego para um romance, porque é grande o risco da história se perder ou se tornar maçante. Arriscaria ler esse livro.

13 - A Febre do Rato (Javier Arancibia Contreras) - Bom conto. O cara escreve muito bem: bom vocabulário, prosa solta e dinâmica.  O conto vai muito bem até o finalzinho, quando então caiu no comum; recuperou-se um pouco no desfecho, mas seria mais legal se ele tivesse seguido no rumo que prometia. É a história de um tradutor que, após se recuperar de um grave acidente, vai morar na casa da mãe, que morreu. Enquanto faz suas traduções, ele escuta um barulho e percebe que, ao contrário do que pensava, não está sozinho na casa; um rato lhe faz companhia. A história estava ficando diferente, interessante, curiosa e, de repente... Não vou contar para não tirar a graça. Leria um livro desse escritor.

14 - Faíscas (Carol Bensimon) - Trata-se de um de trecho de novo romance da autora. Não gostei. Ela escreve direitinho, mas o tema é mais do que manjado. Duas amigas jovens saem em viagem, sem planejamento, pelas estradas do Rio Grande do Sul. Putz! Filme repetido e sem graça de Sessão da Tarde. Ela vai ter que se desdobrar muito para apresentar alguma novidade; nas poucas páginas que eu li, não vi nenhuma. Talvez o livro funcione para adolescente não muito exigente. Não é para mim.

15 - Teresa (Cristhiano Aguiar) - Achei bem mais ou menos esse conto. Conta a história da vida de um casal: Teresa e Petrúcio. Entre parágrafos da história principal, a autor insere outros parágrafos da história, lida ou contada por Teresa, do príncipe-profeta Elias, que tem pontos de contato com a história do Elias bíblico. Insere ainda parágrafos de uma catástrofe ocorrida no bairro ondo o casal mora, provavelmente um deslizamento de terra. O que a história do príncipe-profeta Elias tem a ver com o casal não sei ao certo; ao menos, não descobri na leitura única que fiz; talvez seja alguma lição de moral ou reflexão que o autor queira suscitar sobre a vida, as escolhas, as decisões. Preciso ler outra vez com mais atenção para confirmar; talvez um dia faça isso. Já a da catástrofe tem a ver, mas aí vocês terão que descobrir. Não sei se leria um livro desse escritor.

16 - Você tem dado notícias? (Leandro Sarmatz) - Não chega a ser ruim, tampouco é bom. Dá para ler até o final sem se aborrecer muito (me aborreci um pouco com o tom  meio raivoso do narrador). O conto é uma espécie de confissão ou discurso que o pai faz ao filho. O pai fala de sua vida, das razões que o levaram a abandonar a casa. O autor não traz nenhuma novidade, nada interessante. O conto não marca. Também não sei se leria algo mais desse escritor.

17 - Fragmento de um Romance (Carola Saavedra). Terminei de ler esse conto e me perguntei: tá, e daí? O que você quis passar com essa historinha boba? (sem aspas que é para combinar com o irritante recurso de estilo adotado pela autora. Já explico). O conto é bobinho, escrito num tom meio adolescente. Fala de uma jovem que recebe a incumbência da irmã mais velha de ir até a casa dessa última para entregar as chaves para um escritor que vai lá chegar. A irmã mais nova cumpre a tarefa e depois sai com ele para um jantar. E pronto. Não tem mais nada. Vou falar do recurso estilístico da autora então. Ela não identifica os diálogos com aspas ou travessão, nem identifica os pensamentos da narradora com aspas. O resultado é uma confusão danada para separar a fala de um personagem de outro. Não sei qual a razão de fazer isso se só irrita e atrapalha. Não me interessaria um livro dela.

18 - Violeta (Miguel Del Castillo) - Conto bonzinho, só isso. É a história de um rapaz que, nas busca em conhecer a história de sua família, descobre que o primo de seu pai era um perseguido e desaparecido da época da ditadura militar uruguaia. Daí ele conta a vida desse primo em segundo grau e da mãe dele, chamada Violeta. Depois volta para as lembranças de infância do rapaz. Como há muitas idas e vindas e a história de três personagens, o conto pede uma leitura bem atenta para a gente não se perder. Em relação à ditadura uruguaia, o autor só fica na superfície e não conta nada além do que já sabemos. Ler um assunto já muito comentado só é interessante se vermos coisas novas. Aqui isso não ocorre. Talvez lesse algo desse autor.

19 - Natureza-Morta (Vinícius Jatobá) - Nesse conto existem quatro vozes a do narrador que fala sobre a casa, a mãe, o pai e o filho falando basicamente sobre o período em que viveram na casa. A proposta é interessante e funcionou. O autor conseguir dar vozes próprias para cada personagem; foi fácil visualizá-los; sentir o que eles sentiam. Algumas passagens são boas e emocionantes. Defeitos: a história é bem comum, sem novidade. E não gostei do tom poético forçado do narrador ao falar da casa; ficou carregado. Talvez lesse outra coisa desse autor.

20 - O Rio Sua (Tatiana Salem Levy) - Continho fraco e pretensioso. Uma jovem volta a morar no Rio depois de passar sete anos em outro país e começa a falar sobre as coisas de que ela gosta e não gosta na cidade e fala do Rio em si e dos cariocas. Gostei nadinha. O conto foi bem superficial; ficou no lugar-comum: baile funk, samba, praia, pessoas na rua de traje de banho. Tudo o que todo mundo já sabe. A única "grande sacada" dela, para mim, não passa de um tentativa frustrada de parecer erudita e brilhante. Fala que o intenso calor do Rio engoliu o H de humidade, ainda preservado pelos portugueses. Depois faz uma relação forçada e confusa entre humidade, húmus, humor, húmido e úmido. "Humidade nos remete à memória deglutida e transformada. Húmido tem mais história do que úmido, mais vestígios." Isso porque "Húmus, os restos que têm água, deixam o solo molhado, a terra úmida." Quê!? Eu pergunto. Depois, num didatismo pedante, lembra que humor é um líquido do corpo e cita os quatro tipos de matéria líquida e semilíquida do organismo humano, fazendo relação dessas matérias com o estado de espírito. Defende que a saúde física e mental está relacionada aos líquidos dos corpos e pergunta: "Será que o humor carioca vem daí? Dos corpos molhados?" Dá uma volta danada, para arrumar um questionamento forçado desses? Fala sério!! Não me interessei em conhecer outras obras dela.

Enfim, o cenário presente e futuro da literatura brasileira não me parece muito promissor. De vinte, três ou quatros escritores realmente me interessaram. Alguns estão perdoados porque são bem novos, têm entre 21 e 25 anos de idade, mas outros já são relativamente experientes, têm livros publicados e já receberam prêmios.  Pelo jeito, público e crítica ainda andam bem separados, porque nenhum desses se tornou best-seller. Sei que o brasileiro não é muito dado à leitura, menos ainda à leitura mais elaborada, ou seja, o público tem parte da culpa; porém os autores também têm sua parcela, pois me parecem que eles escrevem mais para ganhar prêmios, para se destacar entre os pares e para os críticos. Quando fiz a resenha de Capitães da Areia, citei a entrevista de um editor que reclamava justamente disso: os escritores brasileiros contemporâneos estão mais preocupados com prêmios. Claro que tenho que ler outras obras desses autores para chegar a uma opinião definitiva, mas hoje, baseado nessa experiência, sou obrigado a concordar com esse editor.